A importância da ciência Fatores Humanos em indústrias de alta confiabilidade

O conceito de Fator Humano que aqui será usado, historicamente está relacionado a medicina, engenharia e psicologia, em razão dos tradicionais estudos iniciais realizados na aviação, uma vez que estes o associavam aos efeitos causados pelo ambiente em que as pessoas estavam inseridas. Porém, o seu campo de estudo e abrangência envolvem aspectos muito mais amplos.

Portanto, definir Fatores Humanos não é tão simples assim como parece e, de acordo com o artigo publicado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), a própria Organização Internacional de Aviação Civil (OACI) assume essa dificuldade em documento elaborado especificamente sobre o assunto.

Segundo o DOC 9683 da OACI/ICAO, Fatores Humanos, “(…) na linguagem cotidiana normalmente se referem a qualquer fator relacionado aos seres humanos, sendo este a parte mais flexível, adaptável e valiosa do sistema aeronáutico, mas é também a mais vulnerável a influências que podem afetar negativamente seu comportamento.”

No entanto, para fins de introdução a este tema tão complexo, uma das definições mais utilizadas acaba sendo a de que fatores humanos trata-se de “uma ciência aplicada que estuda métodos e princípios do comportamento social na interação do homem-máquina no sentido de aumentar a performance e diminuir erros humanos”.

Fatores Humanos também “refere-se ao estudo das capacidades e limitações humanas no local de trabalho”, onde considera-se a saúde física, o estado mental e emocional dos indivíduos, além dos aspectos que envolvem a cultura organizacional, estratégias, políticas, regulamentações, procedimentos, processos, equipamentos, softwares, entre tantas outras variáveis que exercem influência nos mais diversos contextos pessoais e laborais. 

Aqui é importante destacar que, desde os “primórdios” da aviação, o ELEMENTO HUMANO tem sido fundamental por ser um elo decisivo quando o assunto é CULTURA DE SEGURANÇA. O tema ganhou maiores proporções e passou a ser alvo de estudos científicos a partir das experiências do pós guerra (entre as décadas de 40 e 50), porém trabalhos mais representativos foram produzidos a partir dos anos 60-70, avançando para a indústria civil, quando, por exemplo, pesquisas realizadas pela NASA e a Universidade do Texas constataram que o fator humano deveria ser considerado na estruturação desse conhecimento, em decorrência dos inúmeros acidentes aeronáuticos ocorridos naquela época. 

É possível afirmar então que a CIÊNCIA FATORES HUMANOS é essencialmente uma área de natureza interdisciplinar, que tem como OBJETIVO otimizar o desempenho, melhorar a eficiência e a segurança no contexto de interação das pessoas em suas atividades e ambientes relacionados. 

Um exemplo prático e relevante da aplicação desta ciência, é em  INDÚSTRIAS DE ALTA CONFIABILIDADE pela natureza de suas operações. Assim sendo, algumas organizações já estão considerando no planejamento estratégico a expansão e integração de sistemas de GERENCIAMENTO DE RISCO, aprimoramento da CULTURA DE SEGURANÇA, melhorias em aspectos de GESTÃO DA QUALIDADE, entre outras iniciativas como o desenvolvimento de CAPACITAÇÕES que impulsionem a prática de HABILIDADES NÃO TÉCNICAS/COMPORTAMENTAIS como, por exemplo comunicação, assertividade, liderança, trabalho em equipe, consciência situacional, tomada de decisão e tantas outras que, quando integradas, melhoram o gerenciamento de ameaças e de erros. 

Uma potente ferramenta que atinge este objetivo é o treinamento de CORPORATE RESOURCE MANAGEMENT (CRM) – Gerenciamento de Recursos da Corporação, obrigatório na indústria aeronáutica há mais de três décadas e que está se ampliando para outras áreas que possuem atividades críticas e de alto risco, como as apresentadas a seguir.

Hospitais, petroquímicas, instituições de transportes, bombeiros, seguranças pública e privada, construção civil, mineradoras podem se beneficiar do CRM – uma filosofia que comprovadamente é adaptável à outros segmentos que estão inseridos em um contexto complexo, de rápidas mudanças, incertezas, variáveis e vulnerabilidade; portanto exige constante aprendizado por meio de estudos e metodologias que seguem avançando cientificamente, graças a incansável dedicação de multiprofissionais que contam com o suporte de especialistas no assunto.

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